Responsável pelos sepultamentos mantém uma relação de confiança e amizade com as famílias
Há lugares que fazem parte da rotina de uma pessoa. Outros se tornam parte da sua própria história. Para Luiz Antônio Müller, responsável pelos sepultamentos no Cemitério Público de Farroupilha, o espaço representa muito mais do que um local de trabalho. Há 47 anos, ele dedica seus dias ao cuidado do cemitério e ao acolhimento das famílias que enfrentam a despedida de pessoas queridas.
Em entrevista à Rádio Spaço FM, nesta segunda-feira, 2, Dia de Finados, Müller comentou sobre a ligação construída com o local e com a comunidade ao longo de quase cinco décadas. “Parece que tenho raízes aqui dentro do cemitério, uma coisa que me puxa, que me atrai para cá”, contou. Ele afirmou que considera o espaço sua segunda casa e que sente a necessidade de estar ali diariamente, também pelo carinho e pela confiança recebidos da população.
A história da família no cemitério começou com seu pai, em 1980. Luiz Antônio deu continuidade ao trabalho A relação construída pela família com os moradores é motivo de gratidão, segundo ele. “Eu não me vejo como um prestador de serviço. Eu me vejo como um amigo da família, como alguém da família”, afirmou. Müller destacou que procura tratar cada pessoa com proximidade e respeito, especialmente em momentos de fragilidade, quando familiares precisam organizar a despedida de alguém querido.
Mudanças na relação com o cemitério
Com quase 50 anos de experiência, Müller também percebe mudanças na relação da comunidade com o espaço. Segundo ele, antigamente as famílias frequentavam o cemitério com maior regularidade durante o ano. Atualmente, a movimentação se concentra principalmente em datas como o Dia de Finados.
Apesar disso, ele valoriza o carinho demonstrado pelos moradores e afirma que procura retribuir a confiança recebida ao longo dos anos. Também destaca que sua atuação sempre foi pautada pela defesa e pelo cuidado com o cemitério, independentemente das diferentes administrações municipais. “Meu partido político é o cemitério”, afirmou.
Um vínculo que permanece
Questionado sobre a sensação de trabalhar diariamente em um cemitério, Müller descreveu uma relação de tranquilidade e proximidade com o ambiente. Para ele, o local transmite leveza, e o vínculo construído ao longo da vida com as pessoas sepultadas e suas famílias é algo difícil de explicar. “Eu nunca vou decepcionar eles. Esse elo que tenho com eles aqui é um carinho”, declarou.
A trajetória de Luiz Antônio Müller é marcada pela continuidade de um trabalho iniciado pelo pai e pela construção de uma relação de confiança com gerações de famílias farroupilhenses. Em quase cinco décadas, ele acompanhou inúmeras despedidas, mas mantém o mesmo sentimento de pertencimento ao lugar que considera sua segunda casa.

