Com voto de desempate, vereadores aprovam empréstimo de R$ 550 milhões em Caxias

em 30/10/2026
por Gabriel Marchetto

Valor autorizado foi ampliado em R$ 60 milhões na véspera da votação

A Câmara de Vereadores de Caxias do Sul aprovou, por 12 votos a 11, a autorização para que a prefeitura contrate um empréstimo de até R$ 550 milhões. A votação ocorreu durante sessão extraordinária na tarde desta quinta-feira, 29, e foi definida pelo voto de desempate do presidente da Mesa Diretora, Wagner Petrini (PSB).

O projeto original previa um financiamento de até R$ 490 milhões. Entretanto, na tarde de quarta-feira, 28, o Executivo encaminhou uma mensagem retificativa ampliando o limite em R$ 60 milhões, o equivalente a aproximadamente 12%. A alteração não apresentou uma justificativa específica para o aumento, o que gerou questionamentos entre os parlamentares.

Na manhã desta quinta-feira, durante reunião com vereadores, os secretários Micael Meurer, da Receita, e Francis Venturin, de Gestão Estratégica e Finanças, foram questionados sobre a ampliação do valor. Os representantes do Executivo afirmaram desconhecer a alteração encaminhada à Câmara. O encontro terminou sem que o governo tivesse votos suficientes para garantir a aprovação dos projetos.

A discussão continuou durante a sessão extraordinária da tarde. Os vereadores da oposição criticaram a contratação do financiamento e argumentaram que a autorização representaria um “cheque em branco” para a administração municipal.

A vereadora Daiane Mello (PL) também havia cobrado explicações sobre o aumento do limite, mencionando declarações anteriores do prefeito Adiló Didomenico de que parte do empréstimo poderia ser utilizada para quitar a dívida do Caso Magnabosco.

Essa possibilidade foi retirada do projeto após exigências da oposição, que conseguiu incluir restrições para impedir o pagamento de dívidas com os recursos do financiamento. Os parlamentares questionaram, então, por que o limite do empréstimo foi ampliado, em vez de reduzido.

Durante a votação, também foi aprovada uma emenda apresentada pelo vereador Hiago Morandi (Novo), que solicita a destinação de parte dos recursos provenientes da operação de crédito para a criação de uma sede da Guarda Municipal.

Como ficou a votação

O projeto foi aprovado com 12 votos favoráveis e 11 contrários. O presidente da Câmara, Wagner Petrini (PSB), precisou utilizar o voto de desempate para garantir a aprovação.

Votaram contra a proposta os vereadores:

  • Andressa Marques (PCdoB);
  • Cláudio Libardi (PCdoB);
  • Alexandre Bortoluz, o Bortola (PP);
  • Calebe Garbin (PP);
  • Daiane Mello (PL);
  • Capitão Ramon (PL);
  • Estela Balardin (PT);
  • Hiago Morandi (Novo);
  • Lucas Caregnato (PT);
  • Rose Frigeri (PT);
  • Sandra Bonetto (Novo).

Para onde serão destinados os recursos?

Conforme o detalhamento apresentado pelo Executivo, o empréstimo prevê investimentos em diferentes áreas do município. A maior parte dos valores será destinada à pavimentação e à infraestrutura viária.

A distribuição apresentada no projeto é a seguinte:

  • Saúde: aproximadamente R$ 38,8 milhões;
  • Educação: aproximadamente R$ 30 milhões;
  • Esporte e Lazer: aproximadamente R$ 2,4 milhões;
  • Obras diversas: aproximadamente R$ 12,2 milhões;
  • Habitação: aproximadamente R$ 45,2 milhões;
  • Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico: aproximadamente R$ 63,1 milhões;
  • Gestão de Resíduos Sólidos: aproximadamente R$ 4,4 milhões;
  • Pavimentações Urbanas e Rurais e Infraestrutura Viária: aproximadamente R$ 297,5 milhões.

Os valores discriminados no anexo somam aproximadamente R$ 493,6 milhões e não contemplam os R$ 60 milhões acrescentados posteriormente ao limite da operação de crédito.

Como será contratado o financiamento?

A administração municipal prevê contratar o empréstimo junto à Caixa Econômica Federal ou ao Banco do Brasil. Segundo a justificativa apresentada pelo Executivo, os recursos serão utilizados para custear obras de infraestrutura, saúde, educação, habitação e contrapartidas em diferentes áreas.

A prefeitura também informou que não pretende contratar todo o valor de uma única vez. A liberação deverá ocorrer conforme a necessidade dos investimentos, considerando a incidência de juros sobre os recursos utilizados.

O financiamento não poderá ser destinado ao pagamento dos salários dos servidores municipais. Pelo projeto aprovado, as primeiras parcelas da dívida começarão a ser pagas somente em 2028. A atualização da base de cálculo do Iptu, também aprovada pela Câmara, foi apontada pela administração municipal como uma das medidas para auxiliar no pagamento futuro do financiamento.

.