Instituição recebe, em média, R$ 7,44 milhões por mês, enquanto as despesas chegam a aproximadamente R$ 9 milhões
O Hospital Beneficente São Carlos recebeu aproximadamente R$ 67 milhões em recursos públicos em 2026, mas conforme a superintendente da unidade, Janete Toigo, os valores são insuficientes para cobrir as despesas mensais, estimadas em R$ 9 milhões.
Os números foram apresentados pelo secretário da Saúde de Farroupilha, Thiago Brambilla, no programa Fim de Expediente, da Rádio Spaço FM, na quarta-feira, 28. Nesta quinta-feira, 29, a emissora procurou a representante do hospital para esclarecer os custos e as fontes de financiamento da instituição.
Conforme os dados atualizados por Brambilla, os recursos federais somam R$ 19,586 milhões, os estaduais chegam a R$ 20,828 milhões, os municipais totalizam R$ 21,693 milhões e os provenientes de outros municípios alcançam R$ 4,894 milhões. A média mensal de repasses é de R$ 7,44 milhões.
Durante a entrevista, o secretário ressaltou que, embora os atendimentos sejam gratuitos para a população, a manutenção dos serviços representa um custo elevado aos cofres públicos. Ele também destacou a qualidade da assistência oferecida em Farroupilha, apesar das dificuldades enfrentadas pelo sistema de saúde.
Direção aponta insuficiência dos repasses
Janete Toigo explicou que os recursos destinados ao hospital vêm da União, do Estado, de Farroupilha e de outros municípios atendidos pela instituição, além de emendas parlamentares e verbas vinculadas a programas específicos.
Segundo a superintendente, os valores não cobrem os custos da estrutura hospitalar, especialmente dos atendimentos de alta complexidade. Como exemplo, ela citou o atendimento no pronto-socorro, pelo qual, conforme afirmou, o Sistema Único de Saúde (SUS) paga R$ 11, enquanto a medicação trombolítica utilizada em determinados casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) pode custar cerca de R$ 4 mil.
Janete também apontou dificuldades relacionadas às emendas parlamentares. Segundo ela, alguns repasses são condicionados à realização de procedimentos de alta complexidade, cujos custos podem superar os valores recebidos, ampliando o prejuízo da instituição.
A superintendente afirmou que a prestação de contas do hospital está disponível publicamente no portal da Prefeitura.
Secretaria contesta dívida de R$ 3 milhões
Durante a entrevista, também foi questionada uma informação de que o Município teria uma dívida de aproximadamente R$ 3 milhões com o Hospital São Carlos, referente ao ano passado.
Brambilla negou que o valor corresponda a uma dívida reconhecida pela administração municipal. Segundo ele, o hospital apresentou uma solicitação referente a procedimentos retroativos, encaminhada à Procuradoria-Geral do Município (PGM), que indeferiu o pedido.
O secretário ressaltou que os investimentos em saúde devem ser considerados dentro do conjunto de serviços oferecidos à população e das diferentes fontes de financiamento.

