Grupo investigado por extorsão e ameaças teria movimentado R$ 32 milhões; mandados foram cumpridos em 13 locais e três imóveis e sete veículos foram bloqueados
Três pessoas foram presas nesta sexta-feira, 9, durante uma operação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) contra um esquema de empréstimos abusivos com cobranças mediante ameaças em Bento Gonçalves e Carlos Barbosa. A investigação aponta que o grupo movimentou cerca de R$ 32,3 milhões e utilizava vínculos com o crime organizado para intimidar devedores.
Batizada de Operação Multiplicação, a ação cumpriu mandados de busca em 13 locais, apreendeu armas, munições, celulares, documentos e outros materiais. A Justiça também determinou a indisponibilidade de três imóveis e sete veículos ligados aos investigados. Ao todo, oito pessoas são alvo da investigação.
Conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRS, a operação apura crimes de extorsão, organização criminosa, usura — cobrança de juros abusivos — e lavagem de dinheiro. Os fatos investigados teriam ocorrido entre janeiro de 2022 e novembro de 2025.
Empréstimos seguidos de ameaças
Segundo o Ministério Público, os investigados concediam empréstimos com juros elevados e continuavam exigindo pagamentos mesmo depois de as vítimas quitarem os valores inicialmente acordados. As cobranças eram acompanhadas de intimidações, aumentando as dívidas e os prejuízos financeiros.
Em um dos casos apurados, uma vítima pegou R$ 50 mil emprestados, realizou diversos pagamentos e chegou a entregar uma caminhonete como garantia. Mesmo assim, as cobranças prosseguiram, conforme as provas reunidas na investigação.
Em outro episódio, a casa de uma vítima foi incendiada durante a cobrança de um empréstimo. Para o Ministério Público, a ação também teria servido para intimidar outros devedores e reforçar o poder de coerção do grupo.
Investigação financeira
As apurações indicam que os investigados utilizavam contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, além de empresas e terceiros, para movimentar os recursos e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
A análise financeira identificou movimentações consideradas incompatíveis com a renda formal de parte dos investigados. O montante examinado chega a aproximadamente R$ 32,3 milhões.

