Processo foi rejeitado por 15 votos contrários, quatro favoráveis e três abstenções
A Câmara de Vereadores de Caxias do Sul rejeitou, na manhã desta terça-feira, 29, o novo pedido de abertura de processo de impeachment contra o prefeito Adiló Didomenico. A denúncia recebeu 15 votos contrários, quatro favoráveis e três abstenções, dos vereadores do PT. A proximidade das eleições foi apontada durante a sessão como um dos fatores considerados na decisão. As bancadas do PCdoB e do PT, que não aderiram ao pedido, mencionaram o entendimento de que a abertura do processo neste momento poderia beneficiar algumas candidaturas.
Outro ponto considerado pelos vereadores foi o fato de o suposto crime denunciado ter ocorrido em 2024, durante o primeiro mandato de Adiló. Também foi citada a possibilidade de investigação por outras instâncias antes de um processo de impeachment, como o Ministério Público ou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
O pedido de impeachment era baseado em uma lei aprovada pela Câmara que autorizou o repasse de R$ 7 milhões do Samae para a realocação de famílias que vivem na Vila Sapo, no bairro Serrano. A denúncia, que anexou documentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), aponta que a transferência das famílias não ocorreu.
Mesmo com a rejeição da denúncia, vereadores da oposição fizeram cobranças ao governo municipal e defenderam mudanças em áreas consideradas problemáticas. A bancada do Novo votou a favor da abertura do processo por orientação partidária. O vereador Hiago Morandi, porém, classificou como difícil o momento para a análise e lembrou que havia procurado o governo quando ele próprio foi alvo de um pedido de cassação, em junho.
A vereadora Daiane Mello (PL), autora da denúncia, não participou da discussão nem da votação. O Regimento Interno da Câmara impede que o autor de uma denúncia participe da análise do pedido. Durante a sessão, o suplente Rafael Bado foi convocado para assumir a vaga de Daiane, mas pediu para não tomar posse. Com isso, Leandro Golin foi chamado e tomou posse antes da continuidade da sessão. Ele se tornou a segunda pessoa surda a ocupar uma cadeira na Câmara de Caxias do Sul.
A vereadora Rose Frigeri (PT) também apresentou um pedido para adiar a análise por três dias, o que levaria a votação para depois das eleições. O requerimento, no entanto, foi rejeitado. Após a votação, Daiane Mello afirmou aos moradores da Vila Sapo que pretende levar o caso ao Ministério Público. A vereadora também havia tentado se manifestar durante a sessão, mas foi impedida pelas regras regimentais.

