“Questione a vida que você está levando”, frisa doutor em filosofia ao defender disciplina para o sucesso

Em 26/09/2026
por Jerônimo P. Filho

Professor e pesquisador participou do Spaço Livre deste sábado

A busca por uma vida boa, as escolhas ao longo da trajetória, a paciência, a disciplina e a importância das amizades foram alguns dos temas abordados pelo filósofo Mateus Salvadori durante o programa Spaço Livre deste sábado, 26.

Professor, pesquisador e doutor em Filosofia, Salvadori compartilhou parte de sua trajetória e também reflexões construídas a partir de anos de estudos e experiências pessoais. Natural de Roca Salles, ele contou que o interesse pelos livros começou ainda na infância, especialmente durante o período em que viveu com os avós e recebeu do avô o incentivo para estudar. Mais tarde, ao ingressar no seminário, teve contato com uma ampla biblioteca e descobriu na leitura uma paixão que passou a acompanhar sua vida.

A trajetória profissional, no entanto, passou por momentos de dúvida. Depois de deixar o seminário, Salvadori chegou a considerar a possibilidade de estudar Medicina em Cuba, mas, durante esse período de incertezas, percebeu que sua verdadeira vocação estava ligada à sala de aula, à pesquisa e aos estudos. Para ele, momentos de crise podem ser utilizados como oportunidades de reflexão e crescimento.

“Tem que viver a crise ao máximo”

Segundo o filósofo, a própria origem da palavra crise remete à ideia de discernir, julgar e avaliar. Por isso, ele defende que uma crise existencial, quando não se trata de uma condição patológica, pode representar um momento importante para repensar caminhos e tomar decisões.

Não existe fórmula mágica para encontrar o próprio caminho

Ele comentou sobre os jovens que ainda não sabem qual caminho seguir, Salvadori destacou a importância da experiência. Para o filósofo, não existe uma fórmula pronta para descobrir o que fazer da vida. É preciso experimentar, buscar conhecimento em diferentes áreas, conversar com pessoas e estar aberto a novas possibilidades.

Salvadori também chamou atenção para a pressa que muitas vezes acompanha os jovens na hora de tomar decisões que podem definir o futuro. Segundo ele, aos 15, 17 ou 20 anos ainda existe muito a ser descoberto, e a maturidade necessária para determinadas escolhas é construída com o tempo.

É justamente nesse contexto que Salvadori destacou a paciência como uma virtude fundamental.

“A paciência é uma virtude que a gente deve valorizar”

A partir de uma reflexão inspirada em Aristóteles, ele explicou que as virtudes também são construídas pela prática. Assim como a justiça é desenvolvida por meio de atos de justiça, a paciência precisa ser exercitada no cotidiano. Para Salvadori, desenvolver essa característica contribui para um melhor discernimento e para escolhas mais cuidadosas.

Uma visão realista sobre a felicidade

Outro ponto central da entrevista foi a ideia de felicidade. Salvadori questionou o que chama de ‘Projeto Ingênuo de Felicidade’, baseado na expectativa de uma vida permanentemente feliz, sem sofrimento, dificuldades ou crises.

Para ele, essa visão é reforçada principalmente pelas redes sociais, onde frequentemente são apresentadas imagens de vidas aparentemente perfeitas. Em contraponto, o filósofo defendeu um projeto mais realista, que reconheça que a vida também é marcada por dificuldades e momentos de dor.

“A vida pode ser boa, mas ela tem momentos difíceis”

Na avaliação apresentada durante a entrevista, enfrentar esses momentos pode contribuir para o crescimento, desde que a pessoa consiga utilizar as dificuldades para refletir, aprender e enxergar novos caminhos.

Disciplina, tempo e o caminho

A disciplina também apareceu como um dos elementos necessários para quem deseja promover mudanças na própria vida. Salvadori defendeu que objetivos não são alcançados apenas pela vontade, mas exigem prática, tempo e persistência.

Ele também ressaltou que a identidade não é algo completamente estático e pode ser transformada ao longo da vida. Para isso, porém, é necessário trabalhar diariamente na direção daquilo que se deseja construir.

“A vida é o caminho. Não existe um ponto de chegada definitivo”

A metáfora utilizada pelo filósofo foi a de uma montanha: chegar ao topo pode proporcionar uma visão mais ampla, mas o processo de subida, com suas dificuldades e aprendizados, é parte fundamental da trajetória.

“Sem amigos, a vida não tem como ser feliz”

Ao final da entrevista, Salvadori também falou sobre a importância das relações humanas para uma vida considerada boa. Para ele, o ser humano é um ser social e a presença de pessoas queridas é um dos pilares da felicidade.

Ao citar Aristóteles e Epicuro, o filósofo destacou especialmente o papel das amizades. Ele lembrou que os vínculos são construídos ao longo do tempo e podem envolver companheiros, familiares e amigos.

A reflexão foi resumida em uma das frases mais marcantes da conversa:

“Sem amigos, a vida não tem como ser feliz”

Além da atuação acadêmica, Mateus Salvadori mantém produção de conteúdo nas redes sociais, especialmente no YouTube e no Instagram, atividade que ganhou força a partir de 2020. Ele é professor de Filosofia na UCS, atuando na graduação, mestrado e doutorado, além de desenvolver pesquisas na área de Filosofia Prática.

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