“É uma crença, não um dado”, rebate vereador em defesa ao sistema antigranizo

Em 09/09/2026
por Luís Carlos Müller

Parlamentar de Farroupilha discorda da judicialização do Edital lançado pelo governo estadual

O vereador Roque Severgnini se manifestou contrário à iniciativa liderada por Márcia Rohr, que levou à Justiça questionamentos sobre o edital do Governo do Estado para implantação do Sistema Antigranizo na Serra Gaúcha. Segundo o parlamentar, a contestação é legítima dentro do processo democrático, mas não deve, por si só, colocar em dúvida um projeto que, segundo ele, conta com estudos técnicos e tem como objetivo proteger a produção agrícola.

Severgnini, que também é advogado, afirmou que o pedido apresentado à Justiça ou aos órgãos de controle é uma iniciativa permitida, mas avaliou que a ação não representa uma conclusão sobre a viabilidade ou os eventuais impactos do sistema.

O vereador destacou que existem análises técnicas e científicas favoráveis ao uso da tecnologia e rebateu especialmente os questionamentos relacionados ao iodeto de prata. Conforme Severgnini, cada gerador libera cerca de 8,6 gramas da substância por hora de funcionamento, quantidade que, segundo ele, estaria muito abaixo dos limites considerados seguros.

Ele também contestou a ideia de que a semeadura de nuvens poderia provocar falta de chuva em determinadas localidades. “O iodeto não desliga a chuva, ele não rouba água de ninguém”, afirmou.

Segundo o vereador, a tecnologia atua sobre as partículas de gelo presentes nas nuvens, fazendo com que sejam divididas em partículas menores, reduzindo o tamanho e a capacidade de causar danos às plantações quando chegam ao solo.

Severgnini citou ainda a utilização de tecnologia semelhante em municípios de Santa Catarina, como Videira e Caçador, como exemplo de aplicação do sistema. Para ele, os resultados e experiências de outras regiões precisam ser considerados no debate.

O parlamentar também destacou a participação de diferentes instituições na construção do projeto na Serra Gaúcha, incluindo o Governo do Estado, o Sicredi, cooperativas e fundos de investimento, além de cerca de 20 municípios, entre eles Farroupilha.

Na avaliação de Severgnini, a discussão deve considerar principalmente os prejuízos já registrados pela agricultura em razão do granizo. Ele afirmou que, somente na região de atuação do Sicredi, os agricultores teriam acumulado mais de R$ 100 milhões em prejuízos nos últimos três anos. “Isso é concreto. Isso não é uma hipótese. Isso não é uma opinião. Isso é uma realidade de quem convive e conhece e sabe que a agricultura precisa de um suporte”, declarou.

Audiência pública

Diante da divergência em torno do projeto, Roque Severgnini informou que está articulando, junto aos demais integrantes da Frente Parlamentar em Defesa da Agricultura, a realização de uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Farroupilha.

A proposta é reunir sindicatos, agricultores, Emater, Sicredi, Prefeitura, Conselhos e outras entidades para um debate técnico sobre o sistema. O objetivo, segundo o vereador, é ampliar o conhecimento sobre a tecnologia antes da análise do eventual convênio que deverá ser encaminhado pelo Executivo ao Legislativo.

Severgnini reforçou que respeita quem possui posição contrária ao sistema, mas defendeu que o debate seja baseado em dados e estudos técnicos.

Para o vereador, os agricultores devem estar no centro da discussão, já que seriam os principais beneficiados pela iniciativa. Ele afirmou ainda que é necessário evitar a disseminação de informações que possam gerar temor sem comprovação técnica. “Pensar diferente faz parte, mas a gente precisa estar fundamentado”, concluiu.

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