Evento climático deve atingir seu pico até o fim do ano
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou nesta quinta-feira, 3, para a intensificação do fenômeno El Niño nos próximos meses. Segundo a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), o evento climático deve atingir seu pico até o fim do ano e tem probabilidade próxima de 100% de permanecer até fevereiro.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do centro e do leste do Pacífico Equatorial. O fenômeno provoca alterações nos padrões de ventos, pressão atmosférica e chuvas, com efeitos que podem ser sentidos em diferentes regiões do planeta.
De acordo com a OMM, o episódio atual poderá estar entre os mais intensos já registrados desde o início do monitoramento do fenômeno, há cerca de quatro décadas. A entidade prevê impactos importantes sobre as temperaturas e os regimes de precipitação, além do aumento dos riscos de secas, inundações e ondas de calor.
Temperaturas acima da média
As previsões para o período entre setembro e novembro apontam maior probabilidade de temperaturas acima do normal em praticamente todas as áreas continentais.
O aquecimento do Pacífico também já apresenta sinais de intensificação. Entre maio e julho, a temperatura da superfície do mar na região central e leste do Pacífico Equatorial ficou, em média, 1,5°C acima do normal. Entre o fim de julho e meados de agosto, os valores semanais chegaram a variar entre 2,2°C e 2,6°C acima da média.
Em algumas áreas do oceano, as temperaturas abaixo da superfície ficaram mais de 8°C acima do normal durante julho e o início de agosto.
Risco de eventos extremos
Embora o El Niño seja um fenômeno natural e não seja provocado pelas mudanças climáticas, os especialistas alertam que ele pode agravar o aquecimento global e aumentar a intensidade de eventos meteorológicos extremos.
Entre os possíveis efeitos estão períodos de seca em regiões da Amazônia, Indonésia e Austrália, alterações nas monções da Índia e mudanças no regime de chuvas em diferentes áreas tropicais.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o atual episódio tem potencial para provocar impactos severos em comunidades e economias de diferentes partes do mundo. A entidade recomenda que setores como agricultura, saúde, energia e recursos hídricos adotem medidas preventivas.
Impactos podem continuar em 2027
O El Niño costuma ocorrer a cada dois a sete anos e geralmente dura entre nove e 12 meses. Mesmo após atingir seu pico, os efeitos do fenômeno podem permanecer por mais tempo, já que o calor armazenado nos oceanos é liberado gradualmente para a atmosfera.
A OMM destaca que o calor associado ao El Niño pode contribuir para temperaturas globais elevadas ao longo dos meses seguintes. O ano de 2024, por exemplo, foi o mais quente já registrado, após a ocorrência de um forte episódio de El Niño.
A agência também ressalta que cada ocorrência do fenômeno apresenta características próprias, mas os impactos sobre os padrões de chuva e temperatura podem alcançar regiões muito distantes do Pacífico tropical.

