Parlamentar caiu em golpe e envolveu o Hospital São Carlos
O vereador Roque Severgnini (PSB) voltou a se manifestar sobre o pedido de cassação do mandato do vereador Maurício Bellaver (PL), absolvido na madrugada desta quinta-feira, 16, e afirmou que a situação não deve ser analisada de forma diferente de outros episódios que, segundo ele, também colocaram a Câmara de Vereadores de Farroupilha em uma situação constrangedora. Durante entrevista, Severgnini comparou o pedido de cassação de Maurício Bellaver, fundamentado na alegação de que sua prisão por violar medida protetiva, em 1º de abril deste ano, expôs a Câmara de Vereadores a uma situação vexatória, ao caso envolvendo o vereador Juliano Baumgarten (PSB), em junho de 2023.
Na ocasião, Baumgarten caiu em um golpe relacionado a uma suposta doação de cerca de 900 cestas básicas, duas toneladas de peixe e grande quantidade de álcool em gel ao Hospital Beneficente São Carlos. Para viabilizar o recebimento das doações, a instituição desembolsou mais de R$ 1,7 mil, mas os materiais nunca foram entregues. Segundo Severgnini, ele também recebeu a mensagem informando sobre a suposta doação, atribuída ao gabinete do senador Paulo Paim (PT), mas decidiu verificar a veracidade da informação antes de tomar qualquer providência. “Eu também recebi essa mensagem.
Como tenho relação com o senador Paulo Paim, até achei que pudesse ser verdade. Mas consultei o gabinete do deputado Heitor Schuch (PSB) e fui informado de que se tratava de um golpe. Quando cheguei à Câmara, o vereador Juliano já havia dado entrevista e articulado com o Hospital São Carlos. Eu disse que era golpe, mas o hospital já tinha feito o pagamento.”
O parlamentar ressaltou que não atribui culpa a Baumgarten por ter sido vítima do golpe, lembrando que o vereador posteriormente ressarciu os valores pagos pelo hospital. No entanto, afirmou que a situação trouxe desgaste para o Legislativo e para a própria instituição hospitalar. “Ele caiu num golpe, mas envergonhou a Câmara, envergonhou o Poder Legislativo e o Hospital São Carlos. Mesmo assim, ninguém propôs a cassação do mandato porque não havia cabimento.”
Para Severgnini, o episódio demonstra que houve tratamento diferente entre os dois casos. Ele argumenta que, assim como não faria sentido um pedido de cassação contra Baumgarten naquele momento, também não considerou razoável a tentativa de cassação de Bellaver com base no argumento de que a Câmara foi colocada em situação vexatória. “A gente precisa ser leal não só com os companheiros de partido, mas também com os adversários quando vê que não há razoabilidade nem proporcionalidade. Houve, sim, dois pesos e duas medidas nessa situação.”
As declarações foram dadas durante entrevista em que o vereador defendeu que os critérios adotados pela Câmara sejam aplicados de forma uniforme, independentemente da posição política dos parlamentares envolvidos.

