Expectativa é de que a medida seja aprovada durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética
O Governo Federal deve anunciar nesta quarta-feira, 8, o aumento do percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina. A expectativa é de que a medida seja aprovada durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (Cnpe), marcada para ocorrer no Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília.
Caso seja confirmada, a mistura passará dos atuais 30% para 32%, modelo conhecido no setor como E32. Após a reunião, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, deverá detalhar a decisão em entrevista coletiva.
A proposta vinha sendo discutida pelo governo desde o primeiro semestre deste ano, mas teve a votação adiada em diferentes ocasiões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia sinalizado, em abril, a intenção de elevar o percentual de etanol na gasolina, além de aumentar a mistura de biodiesel no diesel.
Objetivo é reduzir dependência de gasolina importada
Segundo o Ministério de Minas e Energia, o aumento da participação do etanol tem como objetivo fortalecer a produção nacional de biocombustíveis, reduzir a necessidade de importação de gasolina e ampliar a segurança energética do país.
A pasta estima que a adoção do E32 poderá reduzir em aproximadamente 450 milhões de litros por ano a importação de gasolina, além de evitar a emissão de cerca de 552 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Medida ganhou força após alta do petróleo
A proposta ganhou ainda mais relevância nas últimas semanas diante da alta dos preços internacionais do petróleo, provocada pelas tensões no Oriente Médio. O governo avalia que ampliar o uso do etanol pode diminuir a exposição do Brasil às oscilações do mercado internacional de combustíveis.
O aumento da mistura também está previsto na Lei do Combustível do Futuro, que ampliou a faixa permitida para a adição obrigatória de etanol anidro à gasolina, passando do antigo limite de 27% para até 35%.
Governo também aposta em impacto nos preços
Além dos benefícios ambientais e da redução da dependência externa, a expectativa do governo é que o maior uso de etanol ajude a reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis ao consumidor.
A medida ocorre em um momento em que o custo da gasolina permanece entre os principais fatores que influenciam a inflação e o orçamento das famílias brasileiras. Caso o CNPE aprove a proposta, o novo percentual de mistura deverá entrar em vigor após a regulamentação pelo governo federal.

