Júlio César Pereira pede mais conscientização da população na separação dos resíduos
O diretor-proprietário Júlio César Pereira, da Acaresul, empresa responsável pelo recebimento e separação de resíduos recicláveis em Farroupilha, fez um alerta à comunidade sobre a forma como os materiais estão chegando para triagem. Segundo ele, a situação, que já preocupava anteriormente, se agravou nos últimos meses, expondo trabalhadores a condições consideradas sub-humanas.
De acordo com o empresário, os resíduos recicláveis frequentemente chegam misturados com lixo orgânico, restos de alimentos, fraldas descartáveis com dejetos, fezes de animais, seringas e vidros quebrados, colocando em risco a saúde e a segurança dos profissionais que atuam na separação dos materiais. “A última vez que falamos sobre esse assunto, esperávamos uma melhora, mas infelizmente a situação piorou. Está vindo cada vez mais material contaminado com comida, fraldas de adulto, fraldas de criança, fezes de cachorro e outros resíduos que não deveriam estar misturados ao material reciclável”, lamentou.
O diretor destacou que a cooperativa e os trabalhadores enfrentam diariamente situações de risco. Além da exposição a resíduos orgânicos, os colaboradores frequentemente sofrem cortes causados por vidros quebrados descartados de forma inadequada. “Quem trabalha na separação acaba lidando com materiais perigosos. Vêm vidros quebrados, seringas e diversos resíduos que não pertencem à coleta seletiva. Isso provoca acidentes e dificulta muito o trabalho realizado pela cooperativa”, afirmou.
Trabalho de conscientização
Na tentativa de mudar essa realidade, a empresa vem promovendo ações educativas em parceria com o Instituto Federal. Diariamente, grupos de estudantes visitam as instalações para conhecer de perto o processo de reciclagem e os desafios enfrentados pelos trabalhadores.
Segundo o diretor, mostrar a realidade da triagem é uma forma de sensibilizar as novas gerações sobre a importância da separação correta dos resíduos. “Estamos recebendo alunos todos os dias para mostrar como funciona o trabalho da cooperativa e o impacto que a falta de conscientização causa para quem está na ponta do processo”, explicou.
Impacto ambiental e econômico
Além dos riscos aos trabalhadores, o descarte incorreto também gera prejuízos ambientais e econômicos. O diretor alerta que grande parte dos resíduos que poderiam ser reciclados acaba sendo enviada para aterros sanitários devido à contaminação.
Ele ressalta que a capacidade dos aterros é limitada e que a construção de novas estruturas representa um alto custo para os municípios, podendo refletir futuramente no aumento das taxas de coleta de lixo. “Hoje cerca de 60% dos resíduos acabam indo para o aterro como rejeito. Os aterros têm vida útil limitada e, quando atingirem sua capacidade máxima, será necessário investir milhões em novas estruturas. Isso impacta diretamente toda a população”, alertou.
Apelo à população
O empresário reconheceu iniciativas positivas de entidades e cidadãos que realizam a separação correta dos materiais, mas reforçou que ainda é necessário ampliar a conscientização da comunidade.
Ele também defende o fortalecimento de campanhas educativas para orientar a população sobre o destino correto dos resíduos. “Pedimos encarecidamente que as pessoas separem o lixo corretamente. O material seletivo deve ficar separado do orgânico. Isso protege os trabalhadores, ajuda o meio ambiente e melhora todo o sistema de reciclagem. Muitas pessoas ainda não sabem exatamente como fazer essa separação e por isso precisamos de mais orientação e campanhas de conscientização”, concluiu.

