Ricardo Fabris afirma que mudança pode melhorar produtividade
O diretor administrativo da 23ª Vara do Trabalho de Porto Alegre e ex-vice-prefeito de Caxias do Sul, Ricardo Fabris de Abreu, defendeu o fim da escala 6×1 durante entrevista à Spaço FM, nesta terça-feira, 26. Fabris afirmou ser favorável à redução da jornada de trabalho e avaliou que o momento econômico do país é adequado para a mudança. “Viva Getúlio Vargas e parabéns à classe trabalhadora brasileira”, declarou ao ser questionado sobre o tema.
Fabris argumentou que o Brasil vive atualmente um cenário de baixa taxa de desocupação, citando dados do IBGE que apontam índice de 5,1% no último quadrimestre de 2025. Segundo ele, o contexto reduz a pressão sobre trabalhadores para aceitar qualquer tipo de emprego e favorece discussões sobre melhores condições de trabalho.
Durante a entrevista, ele destacou que cerca de 102 milhões de brasileiros estão ocupados no mercado de trabalho, sendo aproximadamente 39 milhões com carteira assinada. Desse total, segundo ele, cerca de 14 milhões atuam em jornadas no modelo 6×1.
Na avaliação de Fabris, a proposta em debate no Congresso Nacional não provocaria os impactos negativos previstos por setores empresariais. Ele afirmou que empresas teriam como principal desafio reorganizar escalas de trabalho ou ampliar contratações.
“O que um grande supermercado vai ter que fazer é adequar escalas ou contratar mais gente, se não conseguir suprir essa demanda”, afirmou.
O diretor administrativo da 23ª Vara do Trabalho de Porto Alegre também rebateu críticas sobre possíveis prejuízos econômicos. Para ele, previsões de aumento expressivo do desemprego ou quebra de empresas são “apocalípticas”. Fabris defendeu ainda que a redução da jornada pode gerar ganhos de produtividade, citando exemplos internacionais, como a França, que possui jornada semanal de 35 horas.
Outro ponto enfatizado por Fabris foi a qualidade de vida dos trabalhadores. Segundo ele, permitir mais tempo de convivência familiar e lazer representa avanço social importante, especialmente para trabalhadores de menor renda.
Fabris também criticou discursos contrários à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Segundo ele, afirmar que a legislação trabalhista estaria “ultrapassada” demonstra desconhecimento sobre as alterações ocorridas desde sua criação, em 1943.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força nos últimos meses e deve ter votações importantes nesta semana no Congresso Nacional. O texto em análise prevê redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, garantia de dois dias de descanso remunerado e proibição de redução salarial.

