Carlos Lazzari avalia que o setor não está preparado para absorver uma transformação imediata e defende mais diálogo antes da votação do tema
O ex-presidente do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), Carlos Lazzari, afirma que o empresariado vive um cenário de angústia, medo e pressão psicológica diante de mudanças estruturais em debate no país. Em entrevista à Rádio Spaço FM, Lazzari destaca que, em 38 anos de atuação como empresário, nunca presenciou um contexto semelhante, mesmo tendo acompanhado diferentes governos desde a década de 1990. Segundo ele, embora fatores internacionais como guerras e oscilações de preços impactem a economia, a maior preocupação atual está na possível alteração da escala de trabalho de 6×1 para 5×2.
O ex-presidente pondera que não se posiciona contra ou a favor da mudança, mas defende mais debate e tempo de adaptação. Ele argumenta que o setor privado não está preparado para absorver uma transformação imediata, especialmente em áreas que dependem de funcionamento contínuo, como restaurantes, hotéis, farmácias e supermercados. Carlos compara o debate com a reforma tributária, que está sendo implementada de forma gradual até 2033, e questiona o curto prazo proposto para a mudança na jornada de trabalho. Para ele, decisões dessa magnitude não devem ser tomadas em ano eleitoral, pois exigem construção conjunta entre setor público e privado.
O empresário ressalta ainda que há uma inquietação generalizada no setor, que teme perda de competitividade e dificuldades para manter empregos e receitas. Ele afirma que a classe empresarial sustenta a economia brasileira e alertou para os impactos caso não haja planejamento adequado. Por fim, Carlos manifestou sua expectativa de que o governo amplie o diálogo e adie esta decisão, permitindo um debate mais aprofundado e estruturado nos próximos anos.

