“Antes de discutir nomes, o PSB precisa discutir identidade”, afirma vereador sobre futuro do partido no RS

Em 03/03/2026
por Gabriel Marchetto

Declaração ocorre em meio ao impasse sobre permanência no governo estadual ou apoio ao PT

O vereador farroupilhense Roque Severgnini afirma que o PSB precisa discutir sua identidade antes de definir nomes ou alinhamentos para as eleições no Rio Grande do Sul. O parlamentar se manifesta diante do impasse que envolve a direção estadual, presidida por José Stédile, e o ex-deputado Beto Albuquerque, integrante da executiva nacional do partido. Na segunda-feira, 2, Stédile divulgou nota rebatendo declarações feitas por Beto no sábado, 28, durante evento do PT, quando o ex-deputado anunciou que o PSB deixará o governo Eduardo Leite e ampliará o apoio ao pré-candidato petista, Edegar Pretto, ao Palácio Piratini.

Para Roque, o momento exige reflexão e serenidade. Ele avalia que o partido perdeu protagonismo nos últimos anos e precisa rever suas decisões estratégicas. “Nós estamos vendo o PSB diminuir cada vez mais. Já teve três deputados federais, três estaduais, foi vice-governador do Estado e hoje praticamente desapareceu”, declarou, ao defender uma reconstrução baseada no diálogo com a base.

O parlamentar também criticou a possibilidade de intervenção na executiva estadual para impor um novo rumo à sigla. Segundo ele, as decisões precisam passar pelos filiados e não podem ser fruto de movimentações individuais. “Você tem que fazer uma discussão política com seus filiados, senão para que servem os filiados?”, questionou, ao afirmar que não concorda com imposições vindas de cima.

Severgnini sustentou ainda que a dependência exclusiva da política enfraquece convicções e transforma mandatos em instrumentos de sobrevivência partidária. Ele afirmou que não pretende trocar de sigla fora da janela partidária e ressaltou que vereadores que deixam o partido podem perder o mandato. “Não sou daqueles que vivem de cabresto”, pontuou.

Ouça Roque Severgnini

O vereador Juliano Baumgarten também se manifestou sobre a situação do PSB e reconheceu que o partido atravessa um momento decisivo no Estado. Ele avalia que o debate precisa ocorrer internamente para evitar novos desgastes. Enquanto a direção nacional e estadual não chegam a um consenso, o PSB gaúcho segue dividido entre a permanência no governo estadual e a aproximação com o campo de esquerda nas eleições deste ano.

Ouça Juliano Baumgarten