Vídeo: “Não é o gosto de alguém que define o que é a nossa música gaúcha”, reforça Ernesto Fagundes

Em 04/08/2026
por Gabriel Marchetto

Artista defendeu o respeito às diferentes vertentes da cultura durante participação no Festival de Inverno de Farroupilha

O cantor e compositor Ernesto Fagundes retomou os compromissos profissionais um dia após se despedir do pai, Bagre Fagundes, um dos maiores nomes da música tradicionalista gaúcha. Depois do sepultamento realizado na segunda-feira, 3, o artista esteve em Farroupilha nesta terça-feira, 4, para participar do Festival de Inverno, oportunidade em que concedeu uma entrevista à Rádio Spaço FM.

Emocionado, ele lembrou o legado deixado pelo pai, autor de clássicos como Canto Alegretense e Origens, mas ressaltou que a gratidão pela vida e ensinamentos recebidos transforma a dor em força para seguir em frente, mantendo viva a alegria, a união familiar e o compromisso de preservar a cultura do Rio Grande do Sul.

Ao longo da conversa, Fagundes frisou que a música gaúcha possui diferentes segmentos e que cada artista tem a sua maneira de demonstrar o amor pelas raízes do Estado. Segundo ele, a essência está na valorização da identidade e da história, independentemente dos instrumentos utilizados ou da forma de apresentação. “Cada um procura a sua verdade e, na sua verdade, ele expressa do seu jeito como ama o Rio Grande do Sul”, destacou.

O músico ainda comentou sobre as críticas que surgem, principalmente nas redes sociais, quando determinados estilos ou artistas são questionados. Para Ernesto, não cabe a uma preferência pessoal definir os limites da cultura rio-grandense. “Todo mundo tem a sua opinião, mas às vezes o cara diz: isso não é música gaúcha. Aí eu pergunto: onde é que tu aprendeste para dizer o que é e o que não é? No teu gosto não é”, definiu.

O artista citou a própria trajetória como exemplo, lembrando que a boina e o bombo legueiro se tornaram marcas de sua identidade, embora não sejam elementos oficiais do tradicionalismo. Mesmo assim, ressaltou o orgulho pela história construída pelo MTG e por todos que ajudaram a fortalecer a cultura do Estado.

Ele ainda enalteceu que a música gaúcha segue em crescimento e reúne diferentes gerações, estilos e influências. Para o entrevistado, os pioneiros deixaram uma base sólida que continua dando frutos. “Hoje, o Rio Grande do Sul é um grande jardim de artistas e de poetas do nosso cancioneiro”, concluiu.

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