Ela era natural de Caravaggio
A farroupilhense Aida Balbinot, de 66 anos, morreu em Milão, na Itália, no sábado, 24 de outubro, após enfrentar um câncer no intestino. Natural da comunidade de Caravaggio, ela construiu sua trajetória no país europeu a partir de 1988 e se tornou uma referência para inúmeros conterrâneos que buscavam oportunidades e apoio para se estabelecer no exterior.
Nascida em 10 de janeiro de 1960, era filha de Ardoino Antonio Balbinot e Volmida Thereza Verona Balbinot. Sua família fixou residência no bairro Bela Vista, em Farroupilha, na década de 1970. Aos 16 anos, iniciou a vida profissional como auxiliar de escritório no Posto Farrapos. Posteriormente, trabalhou em empresas de Caxias do Sul e Farroupilha, entre elas a Transportadora Bertoli Ltda., a Contasa Contabilidade e Assessoria de Empresas, a Malharia Caxiense, a Di Cuore Malhas Ltda. e a Malhas Paloma Ltda.
Aida também iniciou a graduação em Serviço Social pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), área ligada ao interesse pelas pessoas e pelo bem-estar coletivo. Aos 28 anos, mudou-se para Milão, onde iniciou uma nova etapa de sua vida. Na Itália, casou-se com Cláudio Barbieri, natural de Nova Milano. Em 1991, nasceu a filha do casal, Majoi, com quem manteve uma forte ligação ao longo da vida.
No país europeu, trabalhou em diferentes funções, inclusive como babá, e posteriormente atuou como intérprete e tradutora juramentada de português e italiano. Sua trajetória profissional foi acompanhada por uma disposição constante para ajudar outras pessoas, especialmente brasileiros que chegavam à Itália em busca de trabalho e novas oportunidades.
Ao longo dos anos, auxiliou inúmeros farroupilhenses na organização de documentos, na busca por emprego e na adaptação à vida no exterior. Em diversas ocasiões, também ofereceu hospedagem em sua própria residência, acolhendo conterrâneos que precisavam de apoio nos primeiros dias no país.
O voluntariado também ocupou um lugar importante em sua vida. Durante dez anos, dedicou-se ao Centro d’Ascolto Caritas, na paróquia de seu bairro, em Milão, oferecendo escuta e acolhimento a pessoas que buscavam ajuda. Posteriormente, atuou como voluntária na SOS Milano, organização ligada à Parrocchia di Santa Maria della Fontana, colaborando na preparação de pacotes de alimentos destinados a pessoas em situação de necessidade.
Comunicativa e com facilidade para criar conexões, Aida construiu amizades tanto na Itália quanto no Brasil. Mesmo morando no exterior, manteve os vínculos com suas origens, retornando para rever familiares e amigos. Apreciava a natureza, valorizava a simplicidade e encontrava nos pequenos gestos e nas relações humanas motivos para cultivar sua maneira generosa de viver.
Sua trajetória ficou marcada pelo acolhimento, pela solidariedade e pela disposição em estender a mão a quem precisava. Para muitos farroupilhenses que partiram para a Itália, foi uma referência e um ponto de apoio na construção de uma nova vida.
A cerimônia fúnebre de corpo presente acontecerá em Milão nesta quarta-feira dia 28. No Brasil as homenagens serão prestadas no sábado, 31, no Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha às 15h. Aida deixa o marido, Cláudio Barbieri, e a filha, Majoi, de 35 anos, além de familiares e amigos que guardarão a lembrança de sua presença e do legado de solidariedade construído ao longo da vida.
Créditos: Acervo da família