Baixo poder de compra das famílias e adiamento de investimentos estão entre os principais entraves apontados pelo setor
O setor plástico enfrenta um ano de dificuldades, com empresas pressionadas pelo caixa apertado, projetos parados e retração do consumo, segundo avaliação do presidente do Simplás, Cláudio Meneghel. Para ele, 2026 está sendo marcado por um cenário econômico que não engrenou e trouxe desgaste para as empresas do segmento.
Meneghel afirma que a insegurança econômica tem levado empresários a manter projetos de investimento na gaveta. Ao mesmo tempo, o consumidor enfrenta dificuldades financeiras, o que contribui para a retração do consumo e afeta diretamente a indústria.
O presidente do Simplás também avalia que o chamado tarifaço norte-americano e o conflito comercial entre Estados Unidos e Brasil prejudicam o setor. Segundo ele, o impacto é sentido especialmente pela indústria da madeira e acaba atingindo o plástico, que está presente em cerca de 94% dos setores da economia.
Apesar das dificuldades enfrentadas em 2026, Cláudio aposta em uma retomada da atividade econômica a partir de 2027. A expectativa está relacionada principalmente ao período posterior às eleições e à possibilidade de retomada do consumo represado.
Para o dirigente, o tamanho do mercado brasileiro é um dos fatores que sustentam o otimismo. Ele destaca que o país possui cerca de 210 milhões de habitantes e que a população precisa diariamente de produtos e serviços que utilizam o plástico em diferentes etapas da cadeia produtiva.
O setor acompanha as mudanças relacionadas às questões ambientais e às normas de ESG. Meneghel cita as novas exigências para embalagens, que estabelecem, para 2030, a utilização de 32% de material plástico reciclado e PCR.
Apesar de representar um desafio para a indústria, o presidente do Simplás considera que a medida pode contribuir para a evolução do setor, ao estimular investimentos, aprimoramentos e novas soluções na produção de materiais reciclados.