Fim da escala 6×1: “É uma ação populista, eleitoreira e irresponsável”, salienta presidente da Federação Varejista do RS

Em 03/09/2026
por Luís Carlos Müller

Ivonei Pioner alerta que os impactos poderão recair sobre os próprios trabalhadores

O presidente da Federação Varejista do Rio Grande do Sul, Ivonei Pioner, durante entrevista à Spaço FM, nesta quarta-feira, 2, manifestou preocupação com a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. Segundo ele, a entidade é contrária à medida e avalia que, caso seja aprovada, os principais impactos poderão recair sobre os próprios trabalhadores e sobre os pequenos e médios empresários.

Pioner argumenta que a redução da jornada, mantendo os salários, elevaria os custos das empresas. Na avaliação dele, parte desse aumento poderia ser repassada aos preços dos produtos e serviços, reduzindo o poder de compra dos consumidores.

Outro ponto destacado pelo presidente da Federação Varejista é a dificuldade que pequenos estabelecimentos teriam para reorganizar as escalas. Segundo ele, empresas de menor porte não teriam estrutura suficiente para substituir funcionários ou realizar revezamentos, o que poderia resultar na redução de postos de trabalho.

Risco de aumento da informalidade

Pioner também afirma que a medida poderia contribuir para o crescimento da informalidade. Ele cita pesquisas apresentadas por frentes parlamentares durante as discussões no Congresso Nacional e afirma que estudos apontam para a possibilidade de fechamento de postos de trabalho e redução da produtividade.

Na avaliação do dirigente, trabalhadores que perderem espaço no mercado formal poderiam buscar alternativas de renda, inclusive durante os dias que seriam destinados à folga.

Ele também chama atenção para os profissionais que recebem remuneração variável. Conforme Pioner, trabalhadores comissionados poderiam ter redução nos ganhos caso passem a trabalhar um dia a menos por semana, já que teriam menos tempo disponível para realizar vendas.

Pequenos negócios seriam os mais afetados

O presidente da entidade reforçou que a preocupação é ainda maior entre pequenos e médios empresários, que representam grande parte do comércio e dos serviços.

Segundo Pioner, esses estabelecimentos possuem menos condições de montar escalas alternativas e absorver eventuais aumentos de custos. Para ele, o país ainda não teria estrutura suficiente para implementar uma mudança desse porte sem consequências para o mercado de trabalho.

Pioner classificou a proposta como populista e eleitoreira e defendeu que eventuais mudanças nas relações de trabalho sejam acompanhadas de medidas que garantam condições para empresas e trabalhadores.

O dirigente também destacou a importância das campanhas de incentivo ao consumo no comércio local. Segundo ele, fortalecer os estabelecimentos dos próprios municípios contribui para manter empregos e movimentar a economia regional.

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