Baixa adesão ao uso de preservativos e erotização precoce estão entre as preocupações apontadas pelo ginecologista
O médico e vice-prefeito de Farroupilha, Thiago Brunet, voltou a alertar para o avanço das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) no município e defendeu o reforço das ações de prevenção e conscientização. Segundo ele, a baixa adesão ao uso de preservativos é um dos fatores que pode estar contribuindo para o crescimento dos casos. Brunet afirma que o cenário tem sido observado nos consultórios e nos resultados de exames acompanhados ao longo de mais de duas décadas de atuação na medicina. Ele ressalta, no entanto, que é necessário realizar uma pesquisa mais abrangente para dimensionar com precisão a situação em Farroupilha.
O ginecologista reforça que já conversou sobre o assunto com o secretário da saúde, Thiago Brabilla, e com o prefeito Jonas Tomazini. A intenção é avaliar os números registrados no município e buscar medidas para reduzir a ocorrência de infecções como HIV, gonorreia e sífilis. A sífilis é apontada como uma das principais preocupações, especialmente entre gestantes. Thiago destacou o risco da transmissão vertical, quando a mãe infectada transmite a doença ao bebê durante a gestação. Segundo ele, esta situação pode provocar problemas neurológicos e cardíacos, muitas vezes com consequências irreversíveis.
O vice-prefeito também salientou que cerca de 1% da população de Farroupilha convive com HIV. Embora os avanços no tratamento tenham transformado a infecção em uma condição crônica, ele ressaltou que a prevenção continua sendo fundamental para evitar novos casos. Além do uso de preservativos, Brunet defende que a orientação comece na adolescência.
Segundo o profissional, o acompanhamento com ginecologistas e urologistas pode ajudar os jovens a compreender o próprio corpo, a sexualidade e os cuidados necessários para evitar infecções. O médico recomenda que as famílias procurem atendimento especializado já a partir dos 12 anos. A proposta, não é necessariamente realizar exames, mas criar um ambiente de diálogo e informação para que os adolescentes possam compreender as mudanças do corpo e receber orientações adequadas.
Brunet chama atenção para a erotização precoce provocada pela exposição de conteúdos nas redes sociais, televisão e outras plataformas. Para ele, a família deve acompanhar esse processo e orientar os jovens, de modo que o despertar da sexualidade ocorra de forma responsável e segura.