Empresário destacou a importância de manter caixa, acompanhar os ciclos econômicos e estar preparado para aproveitar a retomada
Os períodos de crise podem representar oportunidades para empresas que estejam estruturadas, mantenham caixa e saibam identificar os movimentos dos ciclos econômicos. A avaliação é do executivo Paulo Herrmann, que palestrou nesta segunda-feira, 17, durante as comemorações dos 37 anos do Simplás.
Ao analisar o atual cenário econômico, Herrmann classificou o momento como uma espécie de “tempestade perfeita”, diante da combinação de dificuldades econômicas, incertezas e um cenário político que tende a ser ainda mais intenso em um ano eleitoral. Para ele, porém, é justamente em momentos como esse que as empresas precisam voltar a atenção para os fundamentos do negócio.
O executivo fez uma distinção entre risco e crise. Segundo Herrmann, o risco pode ser identificado antecipadamente e administrado, enquanto a crise ocorre quando um problema não foi percebido ou enfrentado a tempo. “As crises fortalecem os fortes e deixam os fracos mais fracos, quando não perecem”, afirmou.
Para Herrmann, a capacidade de atravessar períodos de dificuldade está diretamente relacionada à preparação feita nos momentos de prosperidade. Nesse contexto, ele considera o caixa um dos principais instrumentos de segurança para as empresas.
Segundo o executivo, faturamento elevado, por si só, não representa necessariamente saúde financeira. É preciso observar a rentabilidade e, principalmente, a disponibilidade de recursos para enfrentar períodos de menor movimento.
Herrmann também defendeu que momentos difíceis podem ser adequados para investimentos, desde que a empresa tenha condições financeiras para realizá-los. Ele relatou que, ao longo de sua trajetória, optou por investir justamente em períodos de dificuldade, mas sempre mantendo uma reserva de caixa.
A estratégia, conforme explicou, está relacionada ao caráter cíclico da economia. Enquanto uma empresa realiza investimentos em um período de baixa, o mercado pode estar se preparando para uma retomada. Assim, quando a demanda volta a crescer, o negócio que investiu anteriormente pode estar mais preparado para atender às novas oportunidades.
O executivo utilizou a imagem de uma montanha-russa para explicar os ciclos econômicos. Na fase de crescimento, quando tudo parece favorável, é preciso lembrar que haverá uma descida. E quem estiver preparado durante a subida terá melhores condições de enfrentar a queda.
A orientação, portanto, é não esperar a crise chegar para começar a se preparar. Para Herrmann, períodos de crescimento devem ser utilizados para gerar caixa, estruturar a empresa, ampliar a capacidade produtiva e desenvolver novos produtos.
Com a retomada do mercado, os negócios que fizeram esse movimento antecipadamente podem estar em uma posição mais favorável para aproveitar as oportunidades. “Quando tudo vai bem, quando tudo parece o mundo perfeito, é a hora que você tem que se preparar para a crise”, resumiu.
A palestra reforçou, assim, o conceito de que crise e oportunidade podem caminhar lado a lado. Para Herrmann, a diferença está na preparação e na capacidade de cada empresa de tomar decisões antes que os problemas se transformem em uma crise.