Artista esteve em Farroupilha neste domingo
O compositor e músico Renato Teixeira revelou histórias por trás de alguns dos maiores sucessos de sua carreira durante entrevista à Rádio Spaço FM, em Farroupilha. Aos 81 anos, o artista falou sobre música, trajetória, parcerias e os caminhos que levaram à criação de “Romaria” e “Tocando em Frente”, clássicos que atravessaram gerações. Renato Teixeira esteve em Farroupilha neste domingo, 16, como atração principal do encerramento do 5º Festival de Inverno da Escola Pública de Música. Antes do show, o compositor conversou com a Spaço FM e relembrou momentos marcantes de uma trajetória iniciada ainda na infância.
Ao falar sobre a longevidade nos palcos, Renato afirmou que começou na música aos nove anos e que não sabe fazer outra coisa. Ele mantém uma intensa agenda de apresentações, com mais de cem shows por ano, e considera o contato com o público uma das principais motivações para continuar na estrada. “Eu comecei com nove e eu não sei fazer outra coisa”, afirmou. Segundo Renato, a relação com o público é uma fonte de energia e satisfação. “O contrato com o público é maravilhoso. É curativo”, destacou.
Inspiração para “Romaria”
Teixeira contou que “Romaria” nasceu da observação dos romeiros que chegavam a Aparecida, cidade próxima a Taubaté, onde foi criado. Desde menino, o compositor acompanhava a movimentação das pessoas que percorriam o caminho para cumprir promessas, algumas carregando cruzes. A canção ganhou projeção nacional na voz de Elis Regina. Renato revelou que nunca imaginou que a composição alcançaria a dimensão que conquistou. Segundo ele, o filho da cantora, Pedro Camargo Mariano, teve participação na aproximação de Elis com a música, ao pedir que a mãe tocasse “aquela do caipira”.
“Tocando em Frente” e o saco de pão
A parceria com Almir Sater em “Tocando em Frente” também rendeu uma história curiosa. Teixeira explicou que queria construir uma música com frases marcantes, capazes de permanecer na memória das pessoas. Sem caderno ou caneta no momento da composição, o artista escreveu a letra em um saco de pão, utilizando um pequeno pedaço de lápis. Mais tarde, descobriu que Tom Jobim também havia escrito “Águas de Março” em um saco de pão. “Eu dou um conselho pros compositores: não jogue o saco de pão fora”, brincou Renato.
Inteligência artificial e novos trabalhos
Durante a entrevista, o compositor ainda comentou o avanço da inteligência artificial e as transformações tecnológicas na produção musical. Renato considera a IA mais uma ferramenta dentro de um processo de evolução que acompanha a música há décadas. Para ele, a música é um organismo vivo e continuará avançando com as novas tecnologias. O músico afirmou que recebe esse novo momento com alegria e expectativa de que as ferramentas possam contribuir para a qualidade da produção musical.
Renato também revelou que prepara um novo trabalho em parceria com o músico gaúcho Yamandu Costa. O projeto já está pronto e poderá resultar no lançamento de dois discos devido à quantidade de material produzido. A passagem por Farroupilha terminou com o show de encerramento do 5º Festival de Inverno, realizado no Clube do Comércio. A apresentação teve ingressos esgotados e reuniu um ótimo público para acompanhar um dos principais nomes da música popular brasileira.