Vereador Fantinel afirma que Caxias gasta até R$ 80 milhões por ano com pacientes de outros municípios

Em 23/07/2026
por Luís Carlos Müller

Cidade atende 48 municípios na média e alta complexidade

O vereador de Caxias do Sul, Sandro Fantinel, afirmou que o atendimento prestado a pacientes de outros municípios representa um impacto significativo nas contas da saúde pública caxiense. Em entrevista à Rádio Spaço FM, nesta quarta-feira, 22, o parlamentar estimou que cerca de R$ 70 milhões a R$ 80 milhões por ano são destinados ao atendimento de moradores de cidades da região que utilizam a estrutura de saúde do município.

Segundo Fantinel, o orçamento da saúde de Caxias do Sul deve se aproximar de R$ 1 bilhão em 2026, sendo que aproximadamente 10% desse valor corresponderia aos atendimentos de pacientes encaminhados por municípios da macrorregião.

Durante a entrevista, o vereador afirmou que, caso Caxias deixasse de exercer a função de referência regional na assistência à saúde, haveria uma economia significativa para os cofres municipais. Ele utilizou o dado para defender a necessidade de discutir o financiamento da saúde e a divisão dos custos entre os municípios atendidos.

Fantinel também citou outras áreas que, na avaliação dele, poderiam gerar economia, como a Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul (Codeca), que, segundo afirmou, arrecada cerca de R$ 50 milhões por ano, mas teria um custo de aproximadamente R$ 110 milhões. O vereador ainda mencionou despesas relacionadas ao assistencialismo, estimando que medidas de contenção poderiam representar uma economia total de cerca de R$ 200 milhões anuais.

Na avaliação do parlamentar, esse montante poderia ser destinado a investimentos em infraestrutura. Como exemplo, ele afirmou que R$ 200 milhões seriam suficientes para construir cerca de dez viadutos no município.

Apesar das críticas aos gastos públicos, Sandro Fantinel ressaltou que não atribui a situação exclusivamente ao prefeito Adiló Didomenico. Segundo ele, o cenário é resultado de um conjunto de fatores e mudanças estruturais, exigindo decisões conjuntas e maior coragem política para enfrentar os desafios financeiros do município.

Ouça a entrevista

O secretário municipal da Saúde de Caxias do Sul, Rafael Bueno, reforçou as declarações do vereador Sandro Fantinel e afirmou que o atendimento prestado a pacientes de outros municípios gera um impacto significativo nas finanças da saúde caxiense. Segundo ele, embora Caxias seja referência para cerca de 1,5 milhão de habitantes da região, o custeio dos serviços não é acompanhado pelo devido repasse de recursos dos governos estadual e federal.

De acordo com o secretário, além de manter estruturas que atendem pacientes de 48 municípios, Caxias também assume despesas em serviços regionais, como o Hemocentro. Ele citou que, mesmo com a colaboração de municípios na captação de sangue, os custos operacionais, como transporte e logística, continuam sendo suportados pelo município.

Rafael Bueno também destacou que a defasagem da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) obriga a Prefeitura de Caxias do Sul a complementar financeiramente os atendimentos realizados nos hospitais da cidade, tanto para moradores do município quanto para pacientes encaminhados de toda a região.

O secretário afirmou que a condição de município de referência traz responsabilidades que extrapolam os limites territoriais de Caxias e defendeu uma maior participação dos demais municípios e dos governos estadual e federal no financiamento da saúde regional.

Segundo Bueno, a administração municipal vem buscando alternativas para reduzir a pressão sobre o sistema. Entre as medidas, está a articulação junto ao Governo do Estado para a recomposição do teto de Média e Alta Complexidade (MAC) e a apresentação de um pedido ao Ministério da Saúde, em Brasília, para ampliar os recursos destinados ao atendimento regional.

Por fim, o secretário ressaltou a necessidade de fortalecer a cooperação entre os municípios da Serra Gaúcha para defender, de forma conjunta, o aumento do financiamento da saúde pública. Conforme ele, sem a atualização dos repasses e a adoção de estratégias para reduzir a permanência desnecessária de pacientes nos hospitais, Caxias do Sul continuará enfrentando dificuldades para manter a estrutura de atendimento à população da região.

Ouça Rafael Bueno

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