Lorenzoni articula derrubada de veto e defende fim da taxa de licenciamento no RS

Em 07/07/2026
por Luís Carlos Müller

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Deputado afirma que cobrança perdeu a finalidade após digitalização do CRLV e busca apoio para reverter decisão do governador na Assembleia Legislativa

Após o governador Eduardo Leite vetar o projeto que extingue a taxa de licenciamento de veículos no Rio Grande do Sul, o autor da proposta, o deputado estadual Rodrigo Lorenzoni, anunciou que irá atuar para derrubar a decisão do Executivo na Assembleia Legislativa.

Com a publicação do veto no Diário Oficial do Estado, o Projeto de Lei nº 599/2023 retorna agora ao Legislativo, onde os parlamentares poderão manter ou rejeitar a decisão do governador. A matéria havia sido aprovada por unanimidade em plenário.

Deputado questiona manutenção da cobrança

Lorenzoni argumenta que a taxa perdeu sua razão de existir após a digitalização do Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV), que deixou de ser impresso e enviado fisicamente aos proprietários.

Segundo o parlamentar, os custos que justificavam a cobrança foram eliminados com a modernização do sistema, mas o valor continua sendo exigido dos motoristas. “O cidadão continua pagando por um serviço que deixou de existir”, afirmou.

Atualmente, a taxa de licenciamento corresponde a R$ 114,09 por veículo.

Divergência sobre impacto fiscal

Um dos argumentos utilizados pelo governo estadual para justificar o veto é que a extinção da taxa representaria uma perda de arrecadação estimada em cerca de R$ 700 milhões por ano.

Lorenzoni, porém, contesta a avaliação. Segundo ele, a proposta não cria benefício fiscal, mas apenas elimina uma cobrança cuja finalidade original deixou de existir.

O deputado também cita dados do Detran-RS para sustentar que o órgão possui situação financeira confortável, com superávit próximo de R$ 1,1 bilhão.

Na avaliação do parlamentar, mesmo com a extinção da taxa, o departamento manteria saldo positivo suficiente para continuar suas atividades.

Destinação dos recursos gera debate

Outro ponto levantado por Lorenzoni envolve a utilização de parte dos recursos arrecadados com a taxa para o financiamento do Fundo Especial da Segurança Pública.

Para o deputado, esse aspecto reforça o argumento de que a cobrança deixou de estar vinculada exclusivamente ao serviço para o qual foi criada.

Segundo ele, taxas públicas devem ter relação direta com a prestação de um serviço específico ao contribuinte, o que, na sua avaliação, não ocorre mais no caso do licenciamento eletrônico.

Veto será analisado pelos deputados

Com o retorno da matéria à Assembleia Legislativa, inicia-se o processo de análise do veto pelos parlamentares.

O prazo constitucional para apreciação será interrompido durante o recesso parlamentar e retomado em agosto. A expectativa é que o parecer das comissões seja concluído até meados do próximo mês, permitindo que a votação ocorra em plenário até o dia 22 de agosto.

Caso o veto não seja apreciado dentro do prazo previsto, a pauta da Assembleia poderá ficar trancada até que a matéria seja votada.

Busca por nova maioria

Rodrigo Lorenzoni afirmou que pretende dialogar com os deputados para reconstruir a ampla maioria que aprovou o projeto originalmente. “O Parlamento aprovou essa proposta por unanimidade porque compreendeu que essa cobrança não se justifica mais. Vamos trabalhar para garantir que o contribuinte gaúcho deixe de pagar uma taxa por um serviço que não existe mais”, declarou.

A decisão final sobre a manutenção ou derrubada do veto caberá aos deputados estaduais nas próximas semanas.

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