Sindilojas Farroupilha debate riscos psicossociais e impactos da nova NR-1 nas empresas

Em 29/05/2026
por Luís Carlos Müller

Palestra ocorreu no tradicional Café da Manhã junto à entidade

Promover ambientes de trabalho mais saudáveis, seguros e humanizados foi o principal objetivo do Café da Manhã promovido pelo Sindilojas Farroupilha na manhã desta sexta-feira, 29. O encontro reuniu empresários, profissionais de Recursos Humanos, contadores e representantes de empresas da região para discutir os desafios da saúde ocupacional diante das novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), com foco nos riscos psicossociais nas organizações.

Com o tema “Riscos Psicossociais: a nova NR-1”, a palestra foi conduzida por Roque Puiatti, engenheiro de segurança do trabalho, mestre em Segurança de Processos e Prevenção de Perdas pela Inglaterra e consultor da Saúde Ocupacional da Unimed Serra Gaúcha. Puiatti possui mais de 30 anos de experiência como auditor do Ministério do Trabalho no Rio Grande do Sul.

Durante a apresentação, o especialista destacou a importância da adequação das empresas às novas diretrizes da norma, que já está em vigor desde a última terça-feira, 26.

Segundo ele, a legislação exige que as organizações passem a identificar e gerenciar fatores de risco psicossocial relacionados ao ambiente de trabalho, como assédio, excesso de pressão, metas abusivas e adoecimento mental. “O primeiro ponto que chama atenção é o grande número de profissionais interessados no tema. Isso mostra que as empresas estão compreendendo a importância da NR-1, não apenas pelo aspecto legal, mas principalmente pela melhoria das condições de trabalho”, afirmou.

Puiatti explicou que as empresas devem implementar mecanismos de avaliação interna, por meio de questionários, levantamento de informações e acompanhamento dos trabalhadores, para identificar possíveis problemas relacionados à saúde mental no ambiente corporativo. “A empresa precisa entender se existem fatores de risco psicossocial, afastamentos por saúde mental ou situações de assédio. A partir disso, é fundamental desenvolver um plano de ação com medidas preventivas, treinamentos e acompanhamento especializado”, destacou.

Entre as ações sugeridas estão a reavaliação das lideranças, capacitações internas e, quando necessário, o suporte de psicólogos organizacionais e profissionais especializados em segurança e saúde do trabalho.

O especialista também alertou para a interpretação correta da norma. Segundo ele, os riscos psicossociais previstos na NR-1 dizem respeito exclusivamente ao período e às condições relacionadas ao trabalho dentro da empresa. “É importante ter cuidado para não exagerar ou interpretar a norma de forma equivocada. O foco é o ambiente de trabalho e os impactos que ele pode gerar na saúde mental do trabalhador”, explicou.

Embora a fiscalização já esteja valendo, Puiatti afirmou que existe um período inicial de adaptação e orientação para que as empresas compreendam plenamente as exigências da nova regulamentação.

Setores com alto nível de pressão emocional, como telemarketing e atendimento ao público, exigem atenção especial devido ao estresse provocado por metas e pelo contato direto com clientes.

Outro ponto abordado durante a palestra foi a diferença entre reconhecimento profissional e assédio. Segundo o palestrante, o elogio e a valorização do trabalhador são fundamentais para manter o engajamento e um ambiente organizacional positivo. “Reconhecer o bom trabalho não é assédio. Pelo contrário, o trabalhador se sente valorizado e motivado a continuar desempenhando bem suas funções”, comentou.

Para Puiatti, empresas que investem em educação corporativa, diálogo e participação dos colaboradores tendem a enfrentar menos problemas relacionados ao ambiente psicossocial. “A NR-1 representa um processo de aprendizado para empresas e trabalhadores. Quanto melhor for essa relação, melhor será o ambiente de trabalho, aumentando também a produtividade e o engajamento das equipes”, concluiu.

Ao final do encontro, o especialista reforçou que a implementação da nova norma deve ocorrer de forma gradual, com planejamento, orientação técnica e participação coletiva, sempre priorizando ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis.

ROQUE PUIATTI
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