Senado rejeita Messias para o STF e impõe derrota histórica a Lula

Em 30/04/2026
por Gustavo Colferai

Veto a um indicado à Corte não ocorria há 132 anos

Em derrota histórica para o governo Lula, o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira, 29.

Messias teve 42 votos contrários e 34 a favor (eram necessários 41) na sessão plenária, cujo sufrágio ocorreu de forma secreta. O placar desfavorável se deu mesmo com a liberação bilionária de emendas parlamentares e entrega de cargos em agências reguladoras, pelo Palácio do Planalto, a nomes indicados pelos senadores.

Lula fez ainda trocas na composição da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para deixá-la “mais governista” na sabatina, onde Messias obteve o apoio de 16 parlamentares, depois de quase oito horas sob escrutínio.

Conforme a Revista Oeste, nos bastidores, a queda de Messias é atribuída ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), contrário à indicação desde o princípio.

Alcolumbre gostaria de ver no STF um candidato de sua confiança, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu antecessor no cargo. Por isso, passou a trabalhar pela derrota do AGU.

Congressistas ouvidos pela Oeste em caráter reservado dizem que o recado é claro: Lula precisa se sentar à mesa de negociação.

Ainda conforme a Oeste, parlamentares disseram que o STF também perde com o resultado.

Isso porque ministros, entre eles Nunes Marques e André Mendonça, entraram em campo para emplacar Messias no tribunal.

Posteriormente, Cristiano Zanin e o decano, Gilmar Mendes, saíram em defesa do AGU.

Além disso, os congressistas veem a queda de Messias como um recado direto ao STF no que diz respeito a impeachment de ministros.