Familiares classificam caso como uma sessão de crueldades e omissões
A família do dentista catarinense Francisco José Fialho Lemos, de 58 anos, busca na Justiça a responsabilização pela morte do homem após um deep lifting facial (técnica avançada de rejuvenescimento facial) de mais de R$ 100 mil realizado em uma clínica de Caxias do Sul. As informações foram apuradas com exclusividade pelo Jornal Razão, de Santa Catarina.
Francisco, conhecido como Kiko, morreu no dia 11 de outubro de 2025. Conforme parecer médico-legal elaborado pelo ex-legista do Instituto Médico Legal de Santa Catarina, Zulmar Vieira Coutinho, houve uma sucessão de erros no pós-operatório do dentista. O documento aponta o que os familiares classificam como uma sessão de crueldades e omissões.
Segundo o laudo, o médico responsável concedeu alta ao paciente em menos de 24 horas após a cirurgia de grande porte. A decisão teria sido tomada com base apenas em fotos recebidas por aplicativo de mensagens, ignorando alertas da equipe de enfermagem sobre inchaço extremo, hematomas e dificuldades respiratórias apresentadas pelo dentista.
A falta de atendimento adequado culminou em um quadro irreversível. Ao chegar à emergência dias depois, o inchaço no pescoço impediu a intubação e exigiu uma traqueostomia de urgência. Francisco não resistiu a duas paradas cardiorrespiratórias e morreu.
Conforme relatos da família ao Jornal Razão, a clínica fretou um jato para transladar o corpo da vítima para Florianópolis no mesmo dia do óbito. A manobra impediu a realização imediata do exame necroscópico no local da morte e levantou suspeitas entre os familiares. A clínica ostenta mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais e forte apelo de marketing, ainda de acordo com a reportagem.
O advogado Pedro Monteiro, que representa a família, afirma que a análise técnica do pós-operatório revela elementos que autorizam a classificação da conduta como homicídio doloso.
Ao ser formalmente alertado pela equipe de enfermagem sobre sinais clínicos incompatíveis com a normalidade e por optar deliberadamente por um acompanhamento remoto e precário, o profissional não apenas negligenciou seu dever de cuidado, mas aceitou, com indiferença, a possibilidade do desfecho letal. A família segue em busca de responsabilização na Justiça, descreve o jornal catarinense. O caso corre sob apuração.