Rafael Santos palestrou em roda de conversa na Câmara de Vereadores
O designer editorial e cartunista Rafael Santos, 42 anos, tem utilizado sua própria história para ampliar o debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialmente em adultos. Ele palestrou nesta sexta-feira, 17, em Farroupilha, durante uma roda de conversa na Câmara de Vereadores. Diagnosticado por volta dos 36 anos, ele compartilha um relato marcante sobre as diferenças entre o antes e o depois da confirmação do transtorno.
Antes do diagnóstico, Rafael descreve uma trajetória permeada por dificuldades de socialização, sensibilidade a estímulos como luzes e ruídos, além de sentimentos recorrentes de inadequação. Na época, sem compreender a origem dessas características, enfrentou desafios no ambiente escolar, profissional e social, muitas vezes associados à incompreensão e ao isolamento.
A partir da descoberta do autismo, ele afirma que passou a entender melhor seu próprio comportamento e suas necessidades. O diagnóstico trouxe não apenas respostas, mas também a possibilidade de adaptar sua rotina e seu ambiente, promovendo mais qualidade de vida.
Hoje, atuando em áreas criativas e também explorando a música, Rafael trabalha em home office, onde consegue manter um espaço mais adequado às suas condições — com controle de estímulos e maior conforto. Segundo ele, essa adaptação é essencial, já que o ambiente externo nem sempre está preparado para acolher pessoas no espectro.
Ao compartilhar sua experiência, o designer destaca que a falta de informação ainda é um dos principais obstáculos para o diagnóstico precoce e para a inclusão. Para ele, ampliar o conhecimento sobre o autismo é fundamental para que mais pessoas possam se reconhecer, buscar apoio e viver com mais bem-estar.
O relato reforça a importância de olhar para o autismo além da infância, reconhecendo que muitos adultos ainda vivem sem diagnóstico e enfrentam desafios silenciosos ao longo da vida.