Fabiano Zortea participou do programa Panorama nesta terça-feira
O especialista Fabiano Zortea, com mais de duas décadas de experiência acompanhando o varejo internacional e 13 participações consecutivas na NRF em Nova Iorque, concedeu um entrevista na manhã desta terça-feira, 3, ao apresentador Rogério POrtolan durante o Panorama. Zortea esteve em Porto Alegre para compartilhar com lojistas e empresários do estado as principais tendências observadas na edição de 2026. Ele destacou o protagonismo da loja física como destino essencial para consumidores, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil. Zortea ressaltou que o cliente busca cada vez mais motivos para visitar o espaço físico e que, quando percebe valor e encontra uma oferta interessante, a loja se torna um ponto de referência.
Ele lembrou que o varejo brasileiro enfrenta desafios adicionais neste ano, como 10 feriados em dias úteis, além dos impactos da Copa do Mundo e das eleições. Apesar disso, a inteligência artificial surge como ferramenta capaz de gerar ganhos substanciais em eficiência operacional, melhorando a gestão de estoques, a produção de conteúdo e o relacionamento personalizado com clientes. Para o especialista, a tecnologia deve ser encarada como infraestrutura do varejo, mas ainda não é utilizada de forma madura. “Hoje vemos muitos usos aleatórios, tentativas e erros. É preciso definir um objetivo claro: melhorar estoque, relação com o cliente ou relevância digital”, afirmou.
Entre os exemplos práticos, Zortea destacou o uso da inteligência artificial para personalizar o atendimento desde o primeiro contato digital até a experiência na loja física. Segundo ele, a tecnologia permite reconhecer cada cliente, oferecer uma narrativa mais afetiva e motivar a visita ao espaço físico, diferentemente dos chatbots padronizados que ainda predominam. Ao relatar o ambiente da NRF, que reuniu representantes de mais de 100 países e cerca de 2,5 mil brasileiros, destacou ter percebido um otimismo moderado. “O varejo precisa se concentrar no básico bem feito, olhar nos olhos dos clientes e adotar tecnologia quando necessário. Vi um espírito mais pé no chão, com foco em entregar valor agregado e atendimento qualificado”, avaliou.
Para o futuro próximo, ele apontou que a aposta é clara de fortalecer a loja física. “O comércio de rua ainda representa 85% das vendas no Brasil e não há sinais de queda. No entanto, Zortea alertou que as lojas que se limitarem a prateleira e produto terão dificuldades. “Quem acrescentar serviços, hospitalidade e experiências consistentes vai crescer e se desenvolver”, concluiu.