Caso aconteceu em novembro
Jessé Francis Von Mühlen Reuss procurou a Rádio Spaço FM nesta segunda-feira, 2, para denunciar falhas médicas pela morte de seu pai José Alcides Reuss, de 68 anos, que faleceu em novembro após 16 horas de alta hospitalar. Jessé fez um relato após uma série de complicações de saúde que, segundo sua família, foram agravadas por falhas graves no atendimento médico prestado. O filho tornou pública a denúncia em suas redes sociais e já protocolou representações no Conselho Regional de Medicina, no Ministério da Saúde e no Ministério Público do Rio Grande do Sul, que instaurou inquérito para apurar responsabilidades criminais.
Segundo o filho, o caso foi marcado por sucessivas falhas, demora em exames e cirurgias, além de contradições sobre a capacidade do hospital em realizar procedimentos de alta complexidade. Durante sua manifestação ele fez um cronograma dos atendimentos de seu pai desde os primeiros sintomas que iniciaram no dia 3 de setembro. Desta data ele procurou atendimento por apresentar perda de sensibilidade e paralisia nos membros inferiores. Apesar das idas constantes à UPA e ao Hospital São Carlos, foi liberado em diversas ocasiões sem exames conclusivos ou encaminhamento adequado.
Após exames realizados em Garibaldi, foi constatada uma infecção grave e a necessidade de cirurgia de descompressão medular. Segundo Jessé, o Hospital São Carlos alegou não ter estrutura para o procedimento, o que levou a família a ingressar com ações judiciais para garantir a transferência. Somente em 20 de setembro, já em estado crítico, José Alcides foi operado no Hospital Tachini, onde se confirmou um abscesso epidural.
Mesmo após melhora parcial, o paciente voltou ao Hospital São Carlos, onde a família afirmou que houve interrupção precoce do tratamento com antibióticos e despreparo da equipe. No dia 8 de novembro, José recebeu alta hospitalar contra a recomendação da equipe de transporte, que alegava falta de condições clínicas. No dia seguinte, após 16 horta da alta, José faleceu em casa, com sinais de infecção generalizada.
Ainda segundo o filho, a família descobriu posteriormente que o Hospital São Carlos, foi contratado pelo SUS como referência em neurocirurgia, realizou procedimento semelhante em outro paciente, contrariando a justificativa inicial de falta de estrutura. “Eu sei que nada vai trazer meu pai de volta, mas quero que os responsáveis paguem pelo que fizeram e que outros pacientes tenham coragem de denunciar”, declarou.